Áudio: O Livro dos Médiuns – 2º Parte – Capítulo 6/1 – Perguntas sobre aparições

///Áudio: O Livro dos Médiuns – 2º Parte – Capítulo 6/1 – Perguntas sobre aparições

Leia na obra O Livro dos médiuns, na primeira parte do capítulo 6, discorre sobre as manifestações visuais, e responde perguntas sobre aparições.

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As manifestações visuais e perguntas sobre aparições

100. De todas as
manifestações espíritas, as mais interessantes, sem contestação possível, são
aquelas por meio das quais os Espíritos se tornam visíveis. Pela explicação
deste fenômeno se verá que ele não é mais sobrenatural do que os outros.
Vamos apresentar primeiramente as respostas que os Espíritos deram acerca
do assunto:
1ª Podem os Espíritos tornar-se visíveis?
“Podem, sobretudo, durante o sono. Entretanto algumas pessoas os vêem
quando acordadas, porém, isso é mais raro.”

Nota. Enquanto o corpo repousa, o Espírito se desprende dos laços materiais;
fica mais livre e pode mais facilmente ver os outros Espíritos, entrando com
eles em comunicação. O sonho não é senão a recordação desse estado.
Quando de nada nos lembramos, diz-se que não sonhamos, mas, nem por isso
a alma deixou de ver e de gozar da sua liberdade. Aqui nos ocupamos especialmente
com as aparições no estado de vigília1.

O Livro dos Médiuns - Perguntas sobre aparições
2ª Pertencem mais a uma categoria do que a outra os Espíritos que se
manifestam fazendo-se visíveis?
“Não; podem pertencer a todas as classes, assim às mais elevadas, como as
mais inferiores.”
3ª A todos os Espíritos é dado manifestarem-se visivelmente?
“Todos o podem; mas, nem sempre têm permissão para fazê-lo, ou o querem.”
4ª Que fim objetivam os Espíritos que se manifestam visivelmente?
“Isso depende; de acordo com as suas naturezas, o fim pode ser bom, ou
mau.”
5ª Como lhes pode ser permitido manifestar-se, quando para mau fim?
“Nesse caso é para experimentar os a quem eles aparecem. Pode ser má a
intenção do Espírito e bom o resultado.”
6ª Qual pode ser o fim que tem em vista o Espírito que se torna visível com má
intenção?
“Amedrontar e muitas vezes vingar-se.”

a) Que visam os que vêm com boa intenção? “Consolar as pessoas que deles
guardam saudades, provar-lhes que existem e estão perto delas; dar conselhos

e, algumas vezes, pedir
para si mesmos assistência.”

1 Ver, para maiores particularidades sobre o estado do Espírito durante o sono,
O Livro dos Espíritos, cap. “Da emancipação da alma”, nº 409.

7ª Que inconveniente haveria em ser permanente e geral entre os homens a
possibilidade de verem os Espíritos? Não seria esse um meio de tirar a dúvida
aos mais incrédulos? “Estando o homem constantemente cercado de Espíritos,
o vê-los a todos os instantes o perturbaria, embaraçar-lhe-ia os atos e tirar-lhe-
ia a iniciativa na maioria dos casos, ao passo que, julgando-se só, ele age mais
livremente. Quanto aos incrédulos, de muitos meios dispõem para se
convencerem, se desses meios quiserem aproveitar-se e não estiverem cegos
pelo orgulho. Sabes muito bem existirem pessoas que hão visto e que nem por
isso crêem, pois dizem que são ilusões. Com esses não te preocupes; deles
se encarrega Deus.”

Nota. Tantos inconvenientes haveria em vermos constantemente os Espíritos,
como em vermos o ar que nos cerca e as miríades de animais microscópicos
que sobre nós e em torno de nós pululam. Donde devemos concluir que o que
Deus faz é bem-feito e que Ele sabe melhor do que nós o que nos convém.

8ª Uma vez que há inconveniente em vermos os Espíritos, por que, em certos
casos, é isso permitido?
“Para dar ao homem uma prova de que nem tudo morre com o corpo, que a
alma conserva a sua individualidade após a morte. A visão passageira basta
para essa prova e para atestar a presença de amigos ao vosso lado e não
oferece os inconvenientes da visão constante.”
9ª Nos mundos mais adiantados que o nosso, os Espíritos são vistos com mais
freqüência do que entre nós?
“Quanto mais o homem se aproxima da natureza espiritual, tanto mais
facilmente se põe em comunicação com os Espíritos. A grosseria do vosso envoltório é que dificulta e torna rara a
percepção dos seres etéreos.”
10ª Será racional assustarmo-nos com a aparição de um Espírito?
“Quem refletir deverá compreender que um Espírito, qualquer que seja, é
menos perigoso do que um vivo. Demais, podendo os Espíritos, como podem, ir
a toda parte, não se faz preciso que uma pessoa os veja para saber que alguns
estão a seu lado. O Espírito que queira causar dano pode fazê-lo, e até com
mais segurança, sem se dar a ver. Ele não é perigoso pelo fato de ser Espírito,
mas, sim, pela influência que pode exercer sobre o homem, desviando-o do
bem e impelindo-o ao mal.”

Nota. As pessoas que, quando se acham na solidão ou na obscuridade, se
enchem de medo raramente se apercebem da causa de seus pavores. Não
seriam capazes de dizer de que é que têm medo. Muito mais deveriam temer o
encontro com homens do que com Espíritos, porquanto um malfeitor é bem
mais perigoso quando vivo, do que depois de morto. Uma senhora do nosso
conhecimento teve uma noite, em seu quarto, uma aparição tão bem
caracterizada, que ela julgou estar em sua presença uma pessoa e a sua
primeira sensação foi de terror. Certificada de que não havia pessoa alguma,
disse: “Parece que é apenas um Espírito; posso dormir tranqüila.”

11ª Poderá aquele a quem um Espírito apareça travar com ele conversação?
“Perfeitamente e é mesmo o que se deve fazer em tal caso, perguntando ao
Espírito quem ele é, o que deseja e em que se lhe pode ser útil. Se se tratar de
um Espírito infeliz e sofredor, a comiseração que se lhe testemunhar o aliviará. Se for um
Espírito bondoso, pode acontecer que traga a intenção de dar bons conselhos.”

a) Como pode o Espírito,
nesse caso, responder? “Algumas vezes o faz por meio de sons articulados,
como
o faria uma pessoa viva. Na maioria dos casos, porém, pela transmissão dos
pensamentos.”
12ª Os Espíritos que aparecem com asas têm-nas realmente, ou essas asas são
apenas uma aparência simbólica? “Os Espíritos não têm asas, nem de tal coisa
precisam, visto que podem ir a toda parte como Espíritos. Aparecem da
maneira por que precisam impressionar a pessoa a quem se mostram. Assim é
que uns aparecerão em trajes comuns, outros envoltos em amplas roupagens,
alguns com asas,
como atributo da categoria espiritual a que pertencem.”

13ª As pessoas que vemos em sonho são sempre as que parecem ser pelo seu
aspecto?
“Quase sempre são mesmo as que os vossos Espíritos buscam, ou que vêm ao
encontro deles.”
14ª Não poderiam os Espíritos zombeteiros tomar as aparências das pessoas
que nos são caras, para nos induzirem em erro?
“Somente para se divertirem à vossa custa tomam eles aparências fantásticas.
Há coisas, porém, com que não lhes é lícito brincar.”
15ª Compreende-se que, sendo uma espécie de evocação, o pensamento faça
com que se apresente o Espírito em quem se pensa. Como é, entretanto, que
muitas vezes as pessoas em quem mais pensamos, que ardentemente
desejamos tornar a ver, jamais se nos apresentam em sonho,

ao passo que vemos outras que nos são indiferentes e nas quais nunca
pensamos?

“Os Espíritos nem sempre podem manifestar-se visivelmente, mesmo em sonho
e malgrado ao desejo que tenhais de vê-los. Pode dar-se que obstem a isso
causas independentes da vontade deles. Freqüentemente, é também uma
prova, de que não consegue triunfar o mais ardente desejo. Quanto às pessoas
que vos são indiferentes, se é certo que nelas não pensais, bem pode acontecer
que elas em vós pensem. Aliás, não podeis formar idéia das relações no mundo
dos Espíritos. Lá tendes uma multidão de conhecimentos íntimos, antigos ou
recentes, de que não suspeitais quando despertos.”

Nota. Quando nenhum meio tenhamos de verificar a realidade das visões ou
aparições, podemos sem dúvida lançá-las à conta da alucinação. Quando,
porém, os sucessos as confirmam, ninguém tem o direito de atribuí-las à
imaginação. Tais, por exemplo, as aparições, que temos em sonho ou em
estado de vigília, de pessoas em quem absolutamente não pensávamos e que,
produzindo-as no momento em que morrem, vêm, por meio de sinais diversos,
revelar as circunstâncias totalmente ignoradas em que faleceram. Têm-se visto
cavalos empinarem e recusarem caminhar para a frente, por motivo de
aparições que assustam os cavaleiros que os montam. Embora se admita que a
imaginação desempenhe aí algum papel, quando o fato se passa com os
homens, ninguém, certamente, negará que ela nada tem que ver com o caso,
quando este se dá com os animais. Acresce que, se fosse exato que as imagens
que vemos em sonho são sempre efeito das nossas preocupações quando
acordados, não haveria como explicar que nunca sonhemos, conforme se
verifica freqüentemente, com aquilo em que mais pensamos.

16ª Por que razão certas visões ocorrem com mais freqüência quando se está
doente?
“Elas ocorrem do mesmo modo quando estais de perfeita saúde. Simplesmente,
no estado de doença, os laços materiais se afrouxam; a fraqueza do corpo
permite maior liberdade ao Espírito, que, então, se põe mais facilmente em
comunicação com os outros Espíritos.”

17ª As aparições espontâneas parecem mais freqüentes em certos países. Será
que alguns povos estão mais bem-dotados do que outros para receberem esta
espécie de manifestações?
“Dar-se-á tenhais um registro histórico de cada aparição? As aparições, como
os ruídos e todas as manifestações, produzem-se igualmente em todos os
pontos da Terra; apresentam, porém, caracteres distintos, de conformidade
com o povo em cujo seio se verificam. Nuns, por exemplo, onde o uso da
escrita está pouco espalhado, não há médiuns escreventes; noutros, abundam
os médiuns desta natureza; entre outros, observam-se mais os ruídos e os
movimentos do que as manifestações inteligentes, por serem estas menos
apreciadas e procuradas.”
18ª Por que é que as aparições se dão de preferência à noite? Não indica isso
que elas são efeito do silêncio e da obscuridade sobre a imaginação?
“Pela mesma razão por que vedes, durante a noite, as estrelas e não as divisais
em pleno dia. A grande claridade pode apagar uma aparição ligeira; mas,
errôneo é supor-se que a noite tenha qualquer coisa com isso. Inquiri os que
têm tido visões e verificareis que são em maior número os que as tiveram de
dia.”

Nota. Muito mais freqüentes e gerais do que se julga são as aparições; porém,
muitas pessoas deixam de torná-las conhecidas, por medo do ridículo, e outras
as atribuem à ilusão. Se parecem mais numerosas entre alguns povos, é isso
devido a que aí se conservam com mais cuidado as tradições verdadeiras, ou
falsas, quase sempre ampliadas pelo poder de sedução do maravilhoso a que
mais ou menos se preste o aspecto das localidades. A credulidade então faz
que se vejam efeitos sobrenaturais nos mais vulgares fenômenos: o silêncio da
solidão, o escarpamento das quebradas, o mugido da floresta, as rajadas da
tempestade, o eco das montanhas, a forma fantástica das nuvens, as sombras,
as miragens, tudo enfim se presta à ilusão, para imaginações simples e
ingênuas, que de boa-fé narram o que viram, ou julgaram ver. Porém, ao lado
da ficção, há a realidade. O estudo sério do Espiritismo leva precisamente o
homem a se desembaraçar de todas as superstições ridículas.

19ª A visão dos Espíritos se produz no estado normal, ou só estando o vidente
num estado extático?
“Pode produzir -se achando-se este em condições perfeitamente normais.
Entretanto, as pessoas que os vêem se encontram muito amiúde num estado
próximo do de êxtase, estado que lhes faculta uma espécie de dupla vista.” (O
Livro dos Espíritos, nº 447.)
20ª Os que vêem os Espíritos vêem-nos com os olhos? “Assim o julgam; mas,
na realidade, é a alma quem vê
e o que o prova é que os podem ver com os olhos fechados.”

21ª Como pode o Espírito fazer-se visível?
“O princípio é o mesmo de todas as manifestações, reside nas propriedades do
perispírito, que pode sofrer diversas modificações, ao sabor do Espírito.”

22ª Pode o Espírito propriamente dito fazer -se visível, ou só o pode com o
auxílio do perispírito?
“No estado material em que vos achais, só com o auxílio de seus invólucros
semimateriais podem os Espíritos manifestar-se. Esse invólucro é o
intermediário por meio do qual eles atuam sobre os vossos sentidos. Sob esse
envoltório é que aparecem, às vezes, com uma forma humana, ou com outra
qualquer, seja nos sonhos, seja no estado de vigília, assim em plena luz, como
na obscuridade.”
23ª Poder-se-á dizer que é pela condensação do fluido do perispírito que o
Espírito se torna visível?
“Condensação não é o termo. Essa palavra apenas pode ser usada para
estabelecer uma comparação, que vos faculte compreender o fenômeno,
porquanto não há realmente condensação. Pela combinação dos fluidos, o

perispírito toma uma disposição especial, sem analogia para vós outros,
disposição que o torna perceptível.”
24ª Os Espíritos que aparecem são sempre inapreensíveis e imperceptíveis ao
tato?
“Em seu estado normal, são inapreensíveis, como num sonho. Entretanto,
podem tornar-se capazes de produzir impressão ao tato, de deixar vestígios de
sua presença e até, em certos casos, de tornar-se momentaneamente
tangíveis, o que prova haver matéria entre vós e eles.”
25ª Toda gente tem aptidão para ver os Espíritos? “Durante o sono, todos têm;
em estado de vigília, não.
Durante o sono, a alma vê sem intermediário; no estado de vigília, acha-se
sempre mais ou menos influenciada pelos órgãos. Daí vem não serem
totalmente idênticas as condições nos dois casos.”

26ª De que depende, para o homem, a faculdade de ver os Espíritos, em
estado de vigília?
“Depende da organização física. Reside na maior ou menor facilidade que tem o
fluido do vidente para se combinar com o do Espírito. Assim, não basta que o
Espírito queira mostrar-se, é preciso também que encontre a necessária aptidão
na pessoa a quem deseje fazer-se visível.”
a) Pode essa faculdade
desenvolver-se pelo exercício? “Pode, como todas as outras faculdades; mas,
perten-
ce ao número daquelas com relação às quais é melhor que se espere o
desenvolvimento natural, do que provocá-lo, para não sobreexcitar a
imaginação. A de ver os Espíritos, em geral e permanentemente, constitui uma
faculdade excepcional e não está nas condições normais do homem.”
27ª Pode-se provocar a aparição dos Espíritos?

“Isso algumas vezes é possível, porém, muito raramente. A aparição é quase
sempre espontânea. Para que alguém veja os Espíritos, precisa ser dotado de
uma faculdade especial.”
28ª Podem os Espíritos tornar-se visíveis sob outra aparência que não a da
forma humana?
“A humana é a forma normal. O Espírito pode variar-lhe a aparência, mas
sempre com o tipo humano.”
a) Não podem manifestar-se sob a forma de chama? “Podem produzir chamas,
clarões, como todos os ou-
tros efeitos, para atestar sua presença; mas, não são os próprios Espíritos que
assim aparecem. A chama não passa muitas vezes de uma miragem, ou de
uma emanação do perispírito. Em todo caso, nunca é mais do que uma parcela
deste. O perispírito não se mostra integralmente nas visões.”

29ª Que se deve pensar da crença que atribui os fogos-fátuos à presença de
almas ou Espíritos?
“Superstição produzida pela ignorância. Bem conhecida é a causa física dos
fogos-fátuos.”
a) A chama azul que,
segundo dizem, apareceu sobre a cabeça de Sérvius Túlius, quando menino, é
uma fábula, ou foi real?
“Era real e produzida por um Espírito familiar, que desse modo dava um aviso à
mãe do menino. Médium vidente, essa mãe percebeu uma irradiação do
Espírito protetor de seu filho. Assim como os médiuns escreventes não
escrevem todos a mesma coisa, também, nos médiuns videntes, não é em
todos do mesmo grau a vidência. Ao passo que aquela mãe viu apenas uma
chama, outro médium teria podido ver o próprio corpo do Espírito.”
30ª Poderiam os Espíritos apresentar-se sob a forma de animais?

“Isso pode dar-se; mas somente Espíritos muito inferiores tomam essas
aparências. Em caso algum, porém, será mais do que uma aparência
momentânea. Fora absurdo acreditar-se que um qualquer animal verdadeiro
pudesse ser a encarnação de um Espírito. Os animais são sempre animais e
nada mais do que isto.”
Nota. Somente a superstição pode fazer crer que certos animais são animados
por Espíritos. É preciso uma imaginação muito complacente, ou muito
impressionada para ver qualquer coisa de sobrenatural nas circunstâncias um
pouco extravagantes em que eles algumas vezes se apresentam. O medo faz
que amiúde se veja o que não existe. Mas, não só no medo tem sua origem
essa idéia. Conhecemos uma senhora, muito inteligente aliás, que con-

sagrava desmedida afeição a um gato preto, porque acreditava ser ele de
natureza sobreanimal. Entretanto, essa senhora jamais ouvira falar do
Espiritismo. Se o houvesse conhecido, ele lhe teria feito compreender o ridículo
da causa de sua predileção pelo animal, provando-lhe a impossibilidade de tal
metamorfose.

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