Áudio: O Livro dos Médiuns – 2ºParte – Capítulo 5/3 – Intervenção voluntária ou involuntária

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Veja como o autor da obra mais importante sobre mediunidade, O Livro dos Médiuns, discorre sobre a intervenção voluntária ou involuntária de uma pessoa em manifestações.

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Intervenção voluntária ou involuntária para a ocorrência de manifestações

93. A intervenção voluntária
ou involuntária de uma pessoa dotada de aptidão especial para a produção
destes fenômenos parece necessária, na maioria dos casos, embora alguns haja
em que, ao que se afigura, o Espírito obra por si só. Mas, então, poderá dar-se
que ele tire de algures o fluido animalizado, que não de uma pessoa presente.
Isto explica porque os Espíritos, que constantemente nos cercam, não
produzem perturbação a todo instante. Primeiro, é preciso que o Espírito
queira, que tenha um objetivo, um motivo, sem o que nada faz. Depois, é
necessário, muitas vezes, que encontre exatamente no lugar onde queira

operar uma pessoa apta a secundá-lo, coincidência que só muito raramente
ocorre. Se essa pessoa aparece inopinadamente, ele dela se aproveita.

Mesmo quando todas as circunstâncias sejam favoráveis, ainda poderia
acontecer que o Espírito se visse tolhido por uma vontade superior, que não lhe
permitisse proceder a seu bel-prazer. Pode também dar-se que só lhe seja
permitido fazê-lo dentro de certos limites e no caso de serem tais
manifestações julgadas úteis, quer como meio de convicção, quer como
provação para a pessoa por ele visada.O Livro dos Médiuns - Intervenção voluntária ou involuntária

Um fato ocorrido

94. A este respeito, apenas
citaremos o diálogo provocado a propósito dos fatos ocorridos em junho de
1860, na rua des Noyers, em Paris. Encontrar-se-ão os pormenores do caso na
Revue Spirite, número de agosto de 1860.
1ª (A São Luís). Quererias ter a bondade de nos dizer se são reais os fatos que
se dizem passados na rua des Noyers? Quanto à possibilidade deles se darem,
disso não duvidamos.
“São reais esses fatos; simplesmente, a imaginação dos homens os exagerará,
seja por medo, seja por ironia. Mas, repito, são reais. Produz essas
manifestações um Espírito que se diverte um pouco à custa dos habitantes do
lugar.”
2ª Haverá na casa alguma pessoa que dê causa a tais manifestações?
“Elas são sempre causadas pela presença da pessoa visada. É que o Espírito
perturbador não gosta do habitante do lugar onde ele se acha; trata então de
fazer-lhe maldades, ou mesmo procura obrigá-lo a mudar-se.”
3ª Perguntamos se, entre os moradores da casa, alguém há que seja causador
desses fenômenos, por efeito de uma influência mediúnica espontânea e
involuntária?

“Necessariamente assim é, pois, sem isso, o fato não poderia dar-se. Um
Espírito vive num lugar que lhe é predileto; conserva-se inativo, enquanto nesse lugar não se apresenta uma pessoa
que lhe convenha. Desde que essa pessoa surge, começa ele a divertir-se
quanto pode.”
4ª Será indispensável a presença dessa pessoa no próprio lugar?
“Esse o caso mais comum e é o que se verifica no de que tratas. Por isso foi
que eu disse que, a não ser assim, o fato não teria podido produzir-se. Mas,
não pretendi generalizar. Há casos em que a presença imediata não é
necessária.”
5ª Sendo sempre de ordem inferior esses Espíritos, constituirá presunção
desfavorável a uma pessoa a aptidão que revele para lhes servir de auxiliar?
Isto não denuncia, da parte dele, uma simpatia para com os seres dessa
natureza?
“Não é precisamente assim, porquanto essa aptidão se acha ligada a uma
disposição física. Contudo, denuncia freqüentemente uma tendência material,
que seria preferível não existisse, visto que, quanto mais elevado moralmente é
o homem, tanto mais atrai a si os bons Espíritos que, necessariamente, afastam
os maus.”
6ª Onde vai o Espírito buscar os projetis de que se serve?
“Os diversos objetos que lhe servem de projetis são, as mais das vezes,
apanhados nos próprios lugares dos fenômenos, ou nas proximidades. Uma
força provinda do Espírito os lança no espaço e eles vão cair no ponto que o
mesmo Espírito indica.”
7ª Pois que as manifestações espontâneas são muitas vezes permitidas e até
provocadas para convencer os homens, parece-nos que, se fossem pessoalmente atingidos por elas, alguns
incrédulos se veriam forçados a render-se à evidência. Eles costumam queixar-
se de não serem testemunhas de fatos concludentes. Não está no poder dos
Espíritos dar-lhes uma prova sensível?
“Os ateus e os materialistas não são a todo instante testemunhas dos efeitos do
poder de Deus e do pensamento? Isso não impede que neguem Deus e a alma.
Os milagres de Jesus converteram todos os seus contemporâneos? Aos
fariseus, que lhe diziam: “Mestre, faze-nos ver algum prodígio”, não se
assemelham os que hoje vos pedem lhes façais presenciar algumas
manifestações? Se não se converteram pelas maravilhas da criação, também
não se converterão, ainda quando os Espíritos lhes aparecessem do modo mais
inequívoco, porquanto o orgulho os torna quais alimárias empacadoras. Se
procurassem de boa-fé, não lhes faltaria ocasião de ver; por isso, não julga
Deus conveniente fazer por eles mais do que faz pelos que sinceramente
buscam instruir-se, pois que o Pai só concede recompensa aos homens de boa
vontade. A incredulidade deles não obstará a que a vontade de Deus se
cumpra. Bem vedes que não obstou a que a doutrina se difundisse. Deixai,
portanto, de inquietar-vos com a oposição que vos movem. Essa oposição é,
para a doutrina, o que a sombra é para o quadro: maior relevo lhe dá. Que
mérito teriam eles, se fossem convencidos à força? Deus lhes deixa toda a
responsabilidade da teimosia em que se conservam e essa responsabilidade é
mais terrível do que podeis supor. Felizes os que crêem sem ter visto, disse
Jesus, porque esses não duvidam do poder de Deus.”

8ª Achas que convém evoquemos o Espírito a que nos temos referido, para lhe
pedirmos algumas explicações?
“Evoca-o, se quiseres, mas é um Espírito inferior, que só te dará respostas
muito insignificantes.”

Diálogo com um espírito

95. Diálogo com o Espírito
perturbador da rua des Noyers: 1ª Evocação.
“Que tinhas de me chamar? Queres umas pedradas? Então é que se havia de
ver um bonito salve-se quem puder, não obstante o teu ar de valentia.”
2ª Quando mesmo nos atirasses pedras aqui, isso não nos amedrontaria; até te
pedimos positivamente que, se puderes, nos atires algumas.
“Aqui talvez eu não pudesse, porque tens um guarda a velar por ti.”
3ª Havia, na rua des Noyers, alguém que, como auxiliar, te facilitava as
partidas que pregavas aos moradores da casa?
“Certamente; achei um bom instrumento e não havia nenhum Espírito douto,
sábio e virtuoso para me embaraçar. Porque, sou alegre; gosto às vezes de me
divertir.”
4ª Qual a pessoa que te serviu de instrumento? “Uma criada.”
5ª Era mau grado seu que ela te auxiliava? “Ah! sim; pobre! era a que mais
medo tinha!”
6ª Procedias assim com algum propósito hostil?
“Eu, não. Nenhum propósito hostil me animava. Mas, os homens, que de tudo
se apoderam, farão que os fatos redundem em seu proveito.”

7ª Que queres dizer com isso? Não te compreendemos. “Eu só cuidava de me
divertir; vós outros, porém, estudareis a coisa e tereis mais um fato a mostrar
que nós
existimos.”

8ª Dizes que não alimentavas nenhum propósito hostil; entretanto, quebraste
todo o ladrilho da casa. Causaste assim um prejuízo real.

“É um acidente.”

9ª Onde foste buscar os objetos que atiraste?
“São objetos muito comuns. Achei-os no pátio e nos jardins próximos.”
10ª Achaste-os todos, ou fabricaste algum? (Ver adiante o cap. VIII.)
“Não criei, nem compus coisa alguma.”

11ª E, se os não houvesse encontrado, terias podido fabricá-los?
“Fora mais difícil. Porém, a rigor, misturam-se matérias e isso faz um todo
qualquer.”
12ª Agora, dize-nos; como os atiraste?
“Ah! isto é mais difícil de explicar. Busquei auxílio na natureza elétrica daquela
rapariga, juntando-a à minha, que é menos material. Pudemos assim os dois
transportar os diversos objetos.”
13ª Vais dar-nos de boa vontade, assim o esperamos, algumas informações
acerca da tua pessoa. Dize-nos, primeiramente, se já morreste há muito tempo.
“Há muito tempo; há bem cinqüenta anos.” 14ª Que eras quando vivo?

“Não era lá grande coisa; simples trapeiro naquele quarteirão; às vezes me
diziam tolices, porque eu gostava muito do licor vermelho do bom velho Noé.
Por isso mesmo, queria pô-los todos dali para fora.”
15ª Foi por ti mesmo e de bom grado que respondeste às nossas perguntas?
“Eu tinha um mestre.”
16ª Quem é esse mestre? “O vosso bom rei Luís.”

Nota. Motivou esta pergunta a natureza de algumas respostas dadas, que nos
pareceram acima da capacidade desse Espírito, pela substância das idéias e
mesmo pela forma da linguagem. Nada, pois, de admirar é que ele tenha sido
ajudado por um Espírito mais esclarecido, que quis aproveitar a ocasião para
nos instruir. É este um fato muito comum, mas o que nesta circunstância
constitui notável particularidade é que a influência do outro Espírito se fez
sentir na própria caligrafia. A das respostas em que ele interveio é mais regular
e mais corrente, a do trapeiro é angulosa, grossa, irregular, às vezes pouco
legível, denotando caráter muito diferente.

17ª Que fazes agora? Ocupas-te com o teu futuro? “Ainda não; vagueio.
Pensam tão pouco em mim na
Terra, que ninguém roga por mim. Ora, não tendo quem me ajude, não
trabalho.”

Nota. Ver-se-á, mais tarde, quanto se pode contribuir para o progresso e o
alívio dos Espíritos inferiores, por meio da prece e dos conselhos.

18ª Como te chamavas quando vivo?

“Jeannet.”

19ª Está bem, Jeannet! oraremos por ti. Dize-nos se a nossa evocação te deu
prazer ou te contrariou?
“Antes prazer, pois que sois bons rapazes, viventes alegres, embora um pouco
austeros. Não importa: ouviste-me, estou contente.”

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2018-05-23T21:42:40+00:00

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