Áudio: O Livro dos Médiuns – 2ºParte – Capítulo 6/4 – Teoria da alucinação

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Veja como a obra, O Livro dos Médiuns,discorre sobre a teoria da alucinação, relacionando esse fenômeno ao mundo espírita.

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O conceito da Teoria da alucinação

111. Os que não admitem o
mundo incorpóreo e invisível julgam tudo explicar com a palavra alucinação.
Toda gente conhece a definição desta palavra. Ela exprime o erro, a ilusão de
uma pessoa que julga ter percepções que realmente não tem. Origina-se do
latim hallucinari, errar, que vem de ad lucem. Mas, que saibamos, os sábios
ainda não apresentaram a razão fisiológica desse fato.
Não tendo a ótica e a fisiologia, ao que parece, mais segredos para eles, como
é que ainda não explicaram a natureza e a origem das imagens que se
mostram ao Espírito em dadas circunstâncias?
Tudo querem explicar pelas leis da matéria; seja. Forneçam então, com o
auxílio dessas leis, uma teoria, boa ou má, da alucinação. Sempre será uma
explicação.O Livro dos Médiuns - Teoria da alucinação

O fenômeno da alucinação e o espiritismo

112. A causa dos sonhos nunca
a ciência a explicou. Atribui-os a um efeito da imaginação; mas, não nos diz o
que é a imaginação, nem como esta produz as imagens tão claras e tão nítidas
que às vezes nos aparecem. Consiste isso em explicar uma coisa, que não é
conhecida, por outra que ainda o é menos. A questão permanece de pé.
Dizem ser uma recordação das preocupações da véspera. Porém, mesmo que
se admita esta solução, que não o é, ainda restaria saber qual o espelho
mágico que conserva assim a impressão das coisas. Como se explicarão,
sobretudo, essas visões de coisas reais que a pessoa nunca viu no estado de
vigília e nas quais jamais, sequer, pensou? Só o Espiritismo nos podia dar a
chave desse estranho fenômeno, que passa despercebido, por causa da sua mesma vulgaridade, como
sucede com todas as maravilhas da Natureza, que calcamos aos pés.
Os sábios desdenharam de ocupar-se com a alucinação. Quer seja real, quer
não, ela constitui um fenômeno que a Fisiologia tem que se mostrar capaz de
explicar, sob pena de confessar a sua insuficiência. Se, um dia, algum sábio se
abalançar a dar desse fenômeno, não uma definição, entendamo-nos bem, mas
uma explicação fisiológica, veremos se a sua teoria resolve todos os casos.
Sobretudo, que ele não omita os fatos, tão comuns, de aparições de pessoas no
momento de morrerem; que diga donde vem a coincidência da aparição com a
morte da pessoa. Se este fosse um fato insulado, poder-se-ia atribuí-lo ao
acaso; é, porém, muito freqüente para ser devido ao acaso, que não tem
dessas reincidências.
Se, ao menos, aquele que viu a aparição tivesse a imaginação despertada pela
idéia de que a pessoa que lhe apareceu havia de morrer, vá. Mas, quase
sempre, a que aparece é a em quem menos pensava a que a vê. Logo, a
imaginação não entra aí de forma alguma. Ainda menos se podem explicar pela
imaginação as circunstâncias, de que nenhuma idéia se tem, em que se deu a
morte da pessoa que aparece.
Dirão, porventura, os alucinacionistas que a alma (se é que admitem uma alma)
tem momentos de sobreexcitação em que suas faculdades se exaltam. Estamos
de acordo; porém, quando é real o que ela vê, não há ilusão. Se, na sua
exaltação, a alma vê uma coisa que não está presente, é que ela se transporta;
mas, se nossa alma pode transportar-se para junto de uma pessoa ausente, por
que não poderia a alma dessa pessoa transportar-se para junto de nós? Dignem-se eles de
levar em conta estes fatos, na sua teoria da alucinação, e não esqueçam que

uma teoria a que se podem opor fatos que a contrariam é necessariamente
falsa, ou incompleta.
Aguardando a explicação que venham a oferecer, vamos tentar emitir algumas
idéias a esse respeito.

Respostas dos espíritos sobre a Teoria da alucinação

113. Provam os fatos que há
aparições verdadeiras, que a teoria espírita explica perfeitamente e que só
podem ser negadas pelos que nada admitem fora do organismo. Mas, a par das
visões reais, haverá, alucinações, no sentido em que esse termo se emprega? É
fora de dúvida. Donde se originam? Os Espíritos é que vão esclarecer-nos sobre
isso, porquanto a explicação, parece-nos, está toda nas respostas dadas às
seguintes perguntas:
a) São sempre reais as
visões? Não serão, algumas vezes, efeito da alucinação? Quando, em sonho, ou
de modo diverso, se vêem, por exemplo, o diabo, ou outras coisas fantásticas,
que não existem, não será isso um produto da imaginação?
“Sim, algumas vezes; quando dá muita atenção a certas leituras, ou a histórias
de sortilégios, que impressionam, a pessoa, lembrando-se mais tarde dessas
coisas, julga ver o que não existe. Mas, também, já temos dito que o Espírito,
sob o seu envoltório semimaterial, pode tomar todas as espécies de formas,
para se manifestar. Pode, pois, um Espírito zombeteiro aparecer com chifres e
garras, se assim lhe aprouver, para divertir-se à custa da credulidade daquele
que o vê, do mesmo modo que um Espírito bom pode mostrar-se com asas e
com uma figura radiosa.”

b) Poder-se-ão considerar
como aparições as figuras e outras imagens que se apresentam a certas
pessoas, quando estão meio adormecidas, ou quando apenas fecham os olhos?
“Desde que os sentidos entram em torpor, o Espírito se desprende e pode ver
longe, ou perto, aquilo que lhe não seria possível ver com os olhos. Muito

freqüentemente, tais imagens são visões, mas também podem ser efeito das
impressões que a vista de certos objetos deixou no cérebro, que lhes conserva
os vestígios, como conserva os dos sons. Desprendido, o Espírito vê nos seu
próprio cérebro as impressões que aí se fixaram como numa chapa
daguerreotípica. A variedade e o baralhamento das impressões formam os
conjuntos estranhos e fugidios, que se apagam quase imediatamente, ainda
que se façam os maiores esforços para retê-los. A uma causa idêntica se devem
atribuir certas aparições fantásticas, que nada têm de reais e que muitas vezes
se produzem durante uma enfermidade.”
É corrente ser a memória o resultado das impressões que o cérebro conserva.
Mas, por que singular fenômeno essas impressões, tão variadas, tão múltiplas,
não se confundem? Mistério impenetrável, porém, não mais estranhável do que
o das ondulações sonoras que se cruzam no ar e que, no entanto, se
conservam distintas. Num cérebro são e bem organizado, essas impressões se
revelam nítidas e precisas; num estado menos favorável, elas se apagam e
confundem; daí a perda da memória, ou a confusão das idéias. Ainda menos
extraordinário parecerá isto, se se admitir, como se admite, em frenologia, uma
destinação especial a cada parte e, até, a cada fibra do cérebro.

Assim, pois, as imagens que, através dos olhos, vão ter ao cérebro, deixam aí
uma impressão, em virtude da qual uma pessoa se lembra de um quadro, como
se o tivera diante de si. Nunca, porém, há nisso mais do que uma questão de
memória. Ora, em certos estados de emancipação, a alma vê o que está no
cérebro, onde torna a encontrar aquelas imagens, sobretudo as que mais o
chocaram, segundo a natureza das preocupações, ou as disposições de espírito.
É assim que lá encontra de novo a impressão de cenas religiosas, diabólicas,
dramáticas, mundanas, figuras de animais esquisitos, que ela viu noutra época
em pinturas, ou mesmo em narrações, porquanto também as narrativas deixam
impressões. De sorte que a alma vê realmente; mas, vê apenas uma imagem
fotografada no cérebro. No estado normal, essas imagens são fugidias,
efêmeras, porque todas as partes cerebrais funcionam livremente, ao passo
que, no estado de moléstia, o cérebro sempre está mais ou menos
enfraquecido, o equilíbrio entre todos os órgãos deixa de existir, conservando
somente alguns a sua atividade, enquanto que outros se acham de certa forma
paralisados. Daí a permanência de determinadas imagens, que as preocupações

da vida exterior não mais conseguem apagar, como se dá no estado normal.
Essa a verdadeira alucinação e causa primária das idéias fixas.
Conforme se vê, explicamos esta anomalia por meio de uma muito conhecida
lei inteiramente fisiológica, a das impressões cerebrais. Porém, preciso nos foi
sempre fazer intervir a alma. Ora, se os materialistas ainda não puderam
apresentar, deste fenômeno, uma explicação satisfatória, é porque não querem
admitir a alma. Por isso mesmo, dirão

que a nossa explicação é má, pela razão de erigirmos em princípio o que é
contestado. Contestado por quem? Por eles, mas admitido pela imensa maioria
dos homens, desde que houve homens na Terra. Ora, a negação de alguns não
pode constituir lei.
É boa a nossa explicação? Damo-la pelo que possa valer, em falta de outra, e,
se quiserem, a título de simples hipótese, enquanto outra melhor não aparece.
Qual ela é, dá a razão de ser de todos os casos de visão? Certamente que não.
Contudo, desafiamos todos os fisiologistas a que apresentem uma que abranja
todos os casos, porquanto nenhuma dão, quando pronunciam as palavras
sacramentais
— sobreexcitação e
exaltação. Assim sendo, desde que todas as teorias da alucinação se mostram
incapazes de explicar os fatos, é que alguma outra coisa há, que não a
alucinação propriamente dita. Seria falsa a nossa teoria, se a aplicássemos a
todos os casos de visão, pois que alguns a contraditariam. É legítima, se
restringida a alguns efeitos.

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2018-05-24T22:40:37+00:00

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