Os valores da Doutrina: no que os espiritas acreditam?

//Os valores da Doutrina: no que os espiritas acreditam?

O Brasil é, hoje, o país com o maior número de adeptos da Doutrina Espírita no mundo. Somos mais de 3,8 milhões de irmãos de ideal espírita. Ainda assim, muitos não sabem o que é a Doutrina ou no que os espiritas acreditam. Por trazer explicações e valores distintos do que aqueles defendidos pelas religiões “tradicionais”, como se costuma dizer. Principalmente, por abordar a mediunidade de modo claro e direto, a Doutrina Espírita é, muitas vezes, alvo de especulações por aqueles que desconhecem suas bases.

Os ideais espíritas permeiam o imaginário popular. Não são raras as vezes em que aparecem em obras fictícias, como filmes ou novelas. Infelizmente, esses ideais e valores são apresentados mesclados a ideias que não condizem necessariamente com o espiritismo ou a codificação de Allan Kardec. Mesas girantes, comunicação com espíritos desencarnados, passes espirituais e mensagens psicografadas: tudo isso faz parte da Doutrina Espírita, é verdade, mas ser espírita e entender no que os espiritas acreditam vai muito além disso e exige uma postura ligada ao trabalho, à caridade e ao estudo.

O artigo de hoje aborda no que os espiritas acreditam, na tentativa de desmitificar meias verdades sobre a Doutrina e trazer conhecimentos novos para aqueles que se interessam pelo espiritismo. Queremos, ainda, mostrar quais são os principais valores dessa religião para aqueles que ainda não a conhecem e também compartilhar com você, irmão de ideal espírita, nossa visão sobre o assunto.

Breve história do Espiritismo

Para entendermos bem no que os espiritas acreditam, é importante nos atentarmos para uma breve história do Espiritismo, já que os valores estão ligados à história da Doutrina e de seu fundador, Allan Kardec.

O surgimento do espiritismo como um marco se deu através do educador e pesquisador francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, que ficou conhecido mundialmente pelo pseudônimo de Allan Kardec, considerado o fundador do espiritismo. Kardec sempre esteve ligado às pesquisas acadêmicas sobre os mais diversos temas. Por intermédio de um amigo, que também era pesquisador, foi apresentado às chamadas “mesas girantes”, onde fez o contato inicial com o universo mediúnico. A partir disso, Allan Kardec passou a se dedicar à pesquisa direcionada especificamente ao espiritismo.

Breve história do Espiritismo

O espiritismo traz luz às inquietações humanas sobre a morte/o desencarne, sobre as provações terrenas, sobre a comunicação com espíritos desencarnados e diversos outros questionamentos. Entender no que os espiritas acreditam é, ao mesmo tempo, conhecer a verdade sobre nossa trajetória espiritual e poder compreender verdadeiramente a Doutrina.

Uma das especificidades principais da Doutrina Espírita, e que influencia em no que os espiritas acreditam, é o fato de que essa Doutrina se baseia em conhecimentos científicos, filosóficos e cristãos.

Por esse teor científico que trouxe às questões de cunho religioso, o espiritismo é considerado uma Doutrina e se baseia em estudos empíricos integrados a valores que estão além da matéria física. A Codificação Espírita foi feita em cinco obras fundamentais: “O Livro dos Espíritos”, “O Livro dos Médiuns”, ‘O Evangelho Segundo o Espiritismo”, “O Céu e o Inferno” e “A Gênese”, todas pelo intermédio de Kardec, que utilizou o diálogo com espíritos superiores já desencarnados.

O contexto brasileiro

No Brasil, nasceram alguns dos médiuns mais conhecidos no universo espírita contemporâneo, como Chico Xavier, Bezerra de Menezes e Divaldo Pereira Franco. Todos os anos, surgem novas Casas Espíritas reconhecidas pela Federação Espírita Brasileira e cada vez mais pessoas se interessam pela Doutrina. E é também no contexto brasileiro onde se vê a expressão mais clara do chamado sincretismo religioso: aqui, a colonização europeia e a migração trouxeram uma forte miscigenação cultural no país.

O contexto brasileiro

Como em praticamente todas as partes do Ocidente, o espiritismo no Brasil se solidificou através da influência e dos ensinamentos de Allan Kardec. Com o tempo, os livros de Kardec foram traduzidos para o português e se popularizaram entre os pesquisadores e espíritas da época. As obras assinadas por Kardec são as obras francesas mais lidas no nosso país.

Segundo o médium Divaldo Pereira Franco, as primeiras manifestações mediúnicas reconhecidas no Brasil aconteceram em Salvador, no Estado da Bahia, em 1849. Foi também em Salvador que se criou a primeira Casa Espírita oficialmente registrada, o “Grupo Familiar do Espiritismo”. Nesse ano, foi registrada a primeira sessão espírita no Brasil.

Infelizmente, ainda hoje, o espiritismo sofre grande preconceito por aqueles que ignoram os valores que regem a Doutrina. Saber no que os espiritas acreditam é conhecer a doutrina e livrar-se de preconceitos frutos do desconhecimento. Vamos, então, falar um pouco sobre os valores do espiritismo.

No que os espiritas acreditam: Os valores do espiritismo

São muitos os valores que guiam a Doutrina Espírita. Todos pautados no amor ao próximo; no exercício da caridade pura; no trabalho no bem; na disciplina e no autoconhecimento. Conforme os ensinamentos trazidos pelos espíritos a Allan Kardec, que, hoje, fazem parte da Codificação Espírita conhecida em todo o mundo ocidental. Os espíritos estão em constante evolução, até atingirem níveis de pureza e felicidade plena. E os valores que nos guiam existem, justamente, para que possamos seguir nossa jornada rumo à evolução. Assim alcançar esses níveis de pureza e felicidade.

O contexto brasileiro

Para essa trajetória, nós, espíritas, acreditamos na Reforma Íntima como ferramenta evolutiva. Praticar a Reforma Íntima é trabalhar em nós mesmos a fim de abandonarmos vícios, maus pensamentos, más ações… É praticar o autoconhecimento e tentarmos, a cada dia, modificar algo que nos incomoda em nós mesmos. Para, assim, nos amarmos mais e amarmos também o nosso próximo.

Quando falamos no que os espiritas acreditam, é importante – para não dizer indispensável – falarmos sobre três aspectos fundamentais: a caridade, o trabalho nobem e a disciplina.

A caridade como caminho

Na Revista Espírita de 1868, foi falado que “a caridade é a alma do espiritismo”. Dessa forma, sabemos que não é possível ser espírita sem praticar a caridade. É preciso, pois, diferenciar dois tipos de caridade: a beneficente e a benevolente. A caridade beneficente é a que geralmente pensamos quando alguém fala em “caridade”: é doar roupas, dinheiro, objetos, comida a quem não tem. Em outras palavras, a caridade beneficente é a doação de recursos materiais. Obviamente, esse tipo de ação é importante para auxiliar aqueles irmãos que passam por dificuldades, mas exite outro tipo de caridade: a benevolente.

A caridade como caminho

A caridade benevolente está incluída no que acreditam os espiritas e significa amar o próximo como a nós mesmos. O que é amar o próximo? É trabalhar nossa reforma íntima para evitarmos sentimentos de inveja; de rancor; de ciúme; vingança; de vontade de causar sofrimento ou ferir alguém. Essa caridade, que pode – e deve – ser praticada por todos, do mais rico financeiramente ao mais pobre, é a que rege o espiritismo.

Chico Xavier nos disse: “A caridade é o processo de somar alegrias; diminuir males; multiplicar esperanças e dividir a felicidade para que a Terra se realiza na condição do esperado Reino de Deus”. Allan Kardec, por sua vez, assim definiu a caridade: “A caridade é a fonte de todas as virtudes”.

A caridade é o processo de somar alegrias; diminuir males; multiplicar esperanças e dividir a felicidade, Chico Xavier

A caridade é a fonte de todas as virtudes. Allan Kardec

A caridade, no sentido de ajudar os mais pobres com roupas ou ajuda financeira. Está presente no discurso de várias crenças e religiões. Para o espiritismo, o sentido é mais amplo e essencial. A caridade é o trabalho no bem. É viver a fim de ajudar o progresso dos semelhantes e o próprio, agindo com amor. Segundo O Livro dos Espíritos, em resposta à pergunta 886, “caridade, assim como entendia Jesus, é a benevolência para com todos; a indulgência para as imperfeições alheias; o perdão para as ofensas”.

O trabalho no bem e a Disciplina

O trabalho no bem, de acordo com os ensinamentos do Evangelho segundo o espiritismo, é procurar agir com amor e altruísmo. A fim de trabalharmos em nós mesmos alguns aspectos. Como a afabilidade e a doçura. O trabalho no bem inclui trabalharmos nossas próprias imperfeições a fim de treinarmos nossa paciência – para o nosso irmão; para enfrentar as expiações e provas dessa caminhada; para entender o tempo –, nosso altruísmo, que é a capacidade de colocarmos as necessidades do outro em primeiro lugar, e a obediência e resignação.

Segundo o Evangelho, “a doutrina de Jesus ensina sempre a obediência e a resignação. Duas virtudes companheiras da doçura, muito ativas. Embora os homens as confundam erroneamente com a negação do sentimento e da vontade. A obediência é o consentimento da razão; a resignação é o consentimento do coração. Ambas são forças ativas, porque levam o fardo das provas que a revolta insensata deixa cair. O poltrão não pode ser resignado, assim como o orgulhoso e o egoísta não podem ser obedientes” (Evangelho Segundo o Espiritismo, item 8).

O trabalho no bem e a Disciplina

Já a disciplina está incluída no que os espiritas acreditam e também se relaciona aos estudos. Ser espírita é, sobretudo, dedicação. Na obra “Dimensões da Verdade”, o espírito Joanna de Ângelis, através do médium Divaldo Pereira Franco, nos disse: “Ler ou estudar são hábitos. O espírita não pode prescindir do estudo. Estudo também é trabalho”. Sendo assim, trabalhar a disciplina e promover o estudo da Doutrina é essencial para evoluirmos como espíritas. Cada vez mais, agregar conhecimentos na nossa jornada espiritual.

A disciplina também se refere à prática do Culto do Evangelho no Lar. Uma das ações imprescindíveis aos que desejam praticar a Doutrina. Entre o que prega o espiritismo, está a prática de reunir a família e fazer preces. Trazendo união e atraindo bons espíritos para o lar. Esse Culto deve ser feito pelo menos uma vez por semana, sempre no mesmo dia e na mesma hora, segundo nos ensinam os guias espirituais.

No que os espíritas acreditam?

Já vimos os valores do espiritismo, que são a base para entender no que os espiritas acreditam. Então, agora vamos falar sobre alguns itens pontuais, que, constantemente causam polêmica e dúvida quando o assunto é o espiritismo. Os espíritas acreditam em reencarnação. Para nós, irmãos de ideal, a morte corpórea é apenas um estágio natural de todos os espíritos encarnados. A nossa jornada não termina no desencarne, mas existe por várias e várias encarnações, nesta e em outras “moradas da casa do Pai”.

Os espíritas acreditam em mediunidade. Ainda que a expressão “acreditam” não seja a melhor para essa afirmação. Já que, para nós, a mediunidade é algo natural. Que, portanto, não cabe dizermos que acreditamos nela ou não (seria como dizer que acreditamos no sol, na água ou no ar, por exemplo). Mediunidade é a comunicação entre seres encarnados e desencarnados e pode acontecer das mais variadas formas. Um dos médiuns mais conhecidos no Brasil foi Chico Xavier, autor de centenas de livros psicografados.

Os espíritas acreditam em evolução. Quando agimos segundo os valores mencionados acima, trabalhamos nossas próprias imperfeições e, assim, alcançamos níveis de evolução espiritual. A Terra é um espaço que ainda abriga seres pouco evoluídos e é, portanto, um espaço de expiações e provas.

Veja também as categorias e áudios abaixo:


Planejamento

Os espíritas acreditam que cada encarnação foi anteriormente planejada. Que o lugar em que nascemos, nossa família e nossos laços mais próximos não são frutos do acaso ou do destino. Mas desse planejamento. Tudo isso faz parte do processo que compõe a caminhada espiritual e é feito para que possamos crescer enquanto espíritos.

Por fim, os espíritas acreditam no amor como caminho. E esse é um dos motivos que fazem da Doutrina um espaço de encontro de vários seres simpáticos entre si. Que acreditam no bem e fazem da vontade de ajudar o outro o cerne de sua própria existência.

Agora que você já sabe no que os espíritas acreditam, é provável que tenha ainda mais vontade de ler sobre a Doutrina e conhecer os ensinamentos trazidos por ela. Para isso, convidamos você, amigo leitor, a se inscrever no nosso canal e receber novidades de artigos como esse. Se você prefere aprender sobre espiritismo através de audiobooks, confira nosso site. Aqui, você encontra opções desse tipo para estudar a Doutrina enquanto dirige; trabalha; ou faça qualquer atividade que lhe permita escutar lições em áudio. Esperamos que a leitura tenha sido útil! Nos encontramos em breve!

 

Referências:

  • O Evangelho Segundo o Espiritismo – Allan Kardec
  • O Livro dos Espíritos – Allan Kardec
  • Conduta Espírita – Waldo Vieira
  • Ser Espírita – Confederação Espírita Brasileira
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2018-04-24T06:52:22+00:00

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