Quais são os Principais Ensinamentos Espíritas e Como Aplicá-los

Tempo de leitura: 11 minutos

Você provavelmente já ouviu a frase “mãos que ajudam são mais santas que lábios que rezam”, não é verdade? Esse dito, atribuído à Madre Teresa, também pode ser aplicado à Doutrina Espírita, especialmente para entender quais são os principais ensinamentos espíritas e como aplicá-los. Isso porque o espiritismo está longe de ser um amontoado de livros com regras teóricas para enfeitar estantes de bibliotecas, já que é uma Doutrina que ajuda o ser humano a entender sua própria existência e a encontrar uma forma de ser melhor e, consequentemente, mais feliz a cada dia.

Allan Kardec, o fundador da Doutrina Espírita e o responsável por trazer à tona os cinco livros da Codificação Espírita, nos disse. “Ser espírita não é apenas ser religioso, é ser cristão. Não é ostentar uma crença, é vivenciar a fé sincera. Não é superar o próximo. Mas, sim, a si mesmo. Não é construir templos de pedra, é transformar o coração em um templo eterno”. Ser espírita é, portanto, uma questão de prática.

Pensando nisso, o artigo de hoje aborda quais são os principais ensinamento espíritas e a melhor forma de aplicar esses ensinamentos em nossa vida quotidiana. Afinal, só é essencialmente espírita aquele que trabalha na reforma íntima, no bem e na caridade, procurando ser sempre a melhor versão de si mesmo. Nas palavras do médium Chico Xavier, “o espírita não é melhor que ninguém. Mas tem a obrigação de ser melhor do que já é”.

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O que é o espiritismo?

Se bem é verdade que nós, brasileiros, vivemos na maior nação espírita do mundo, ultrapassando os 3,8 milhões de adeptos, também é certo que ainda há uma série de dúvidas sobre a Doutrina, tanto daqueles que estão começando a estudar o espiritismo, como para os irmãos de ideal espírita. Talvez a maior dúvida no que tange à Doutrina é… O espiritismo é uma religião? O espiritismo não demanda templos luxuosos ou rituais. Tampouco cultua imagens de santos ou santas. Mas é, sim, uma religião.

O que é o espiritismo?

Se você já tentou definir a Doutrina para algum amigo e não conseguiu, recorra à definição dada pelo próprio Allan Kardec. O espiritismo é uma ciência religiosa que estuda a natureza e o destino dos espíritos. É, portanto, uma filosofia, uma religião e uma ciência. É, também, a terceira relevação trazida à Terra a fim de auxiliar-nos a entender nossa própria trajetória. A primeira relevação foi Moisés. A segunda, Jesus Cristo. E a terceira, que não é personificada em ninguém especificamente, é o espiritismo.

Breve História do Espiritismo

Para entendermos da melhor forma possível os ensinamentos espíritas, é importante nos atentarmos para uma breve história do Espiritismo, já que os valores estão ligados à história da Doutrina e de seu fundador, Allan Kardec.

O surgimento do espiritismo como um marco se deu através do educador e pesquisador francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, que ficou conhecido mundialmente pelo pseudônimo de Allan Kardec, considerado o fundador do espiritismo. Kardec sempre esteve ligado às pesquisas acadêmicas sobre os mais diversos temas. Por intermédio de um amigo, que também era pesquisador, foi apresentado às chamadas “mesas girantes”, onde fez o contato inicial com o universo mediúnico. A partir disso, Allan Kardec passou a se dedicar à pesquisa direcionada especificamente ao espiritismo.

Breve História do Espiritismo

O espiritismo traz luz às inquietações humanas sobre a morte/o desencarne, sobre as provações terrenas, sobre a comunicação com espíritos desencarnados e diversos outros questionamentos. Entender os ensinamentos espíritas é, ao mesmo tempo, conhecer a verdade sobre nossa trajetória espiritual e poder compreender verdadeiramente a Doutrina, para, dessa forma, viver de uma forma mais consciente e melhor.

A Codificação Espírita foi feita em cinco obras fundamentais. “O Livro dos Espíritos”; “O Livro dos Médiuns”; ‘O Evangelho Segundo o Espiritismo”; “O Céu e o Inferno” e “A Gênese”, todas pelo intermédio de Kardec, que utilizou o diálogo com espíritos superiores já desencarnados.

O espiritismo no Brasil

Como já dissemos no começo desse artigo, o Brasil é, atualmente, a nação com o maior número de adeptos do espiritismo. E é aqui que vive um dos principais médiuns da atualidade. Divaldo Pereira Franco, que viaja o mundo dando palestras sobre a Doutrina e foi o fundador da ONG “Mansão do Caminho”, na Bahia, onde auxilia jovens e crianças órfãos e/ou carentes.

No Brasil, também nasceram alguns dos médiuns mais conhecidos no universo espírita, como Chico Xavier e Bezerra de Menezes. Como em praticamente todas as partes do Ocidente, o espiritismo no Brasil se solidificou através da influência e dos ensinamentos de Allan Kardec. Com o tempo, os livros de Kardec foram traduzidos para o português e se popularizaram entre os pesquisadores e espíritas da época. As obras assinadas por Kardec são as obras francesas mais lidas no nosso país.

O espiritismo no Brasil

Segundo o médium Divaldo Pereira Franco, as primeiras manifestações mediúnicas reconhecidas no Brasil aconteceram em Salvador, no Estado da Bahia, em 1849. Foi também em Salvador que se criou a primeira Casa Espírita oficialmente registrada, o “Grupo Familiar do Espiritismo”. Nesse ano, foi registrada a primeira sessão espírita no Brasil.

Quais são os principais ensinamentos espíritas e como aplicá-los na nossa vida

A Codificação Espírita, como vimos, é extensa, com um conteúdo que engloba praticamente todos os aspectos de nossa vida. O Livro dos Espíritos e O Livro dos Médiuns, por exemplo, respondem, cada um, a mais de mil perguntas sobre a Doutrina e sobre o destino e a origem dos espíritos. Em outras palavras… Os ensinamentos espíritas são muitos. Praticamente todas as dúvidas que possamos chegar a ter durante nossa vida como encarnados estão respondidos nesses e nas outras obras da Doutrina.

Quais são os principais ensinamentos espíritas e como aplicá-los na nossa vida

Se alguém lhe perguntar, irmão de ideal espírita, quais são os principais ensinamentos espíritas, responda… Caridade; disciplina; trabalho no bem e reforma íntima. Esses são, sem sobra de dúvidas, alguns dos principais pilares do espiritismo e são exatamente esses aquilo que devemos aplicar em nossa vida atual e em nossa jornada espiritual.

O trabalho no bem

O que é o trabalho no bem? Será que trabalhar no bem é apenas não causar nenhum mal ao nosso próximo? Não. É claro que deixar de praticar o mal é algo essencial em nossa vida, mas não é suficiente. Foi Burke quem disse… “Para que o mal triunfe, basta que os bons permaneçam com os braços cruzados”. Trabalhar no bem é isso. Movimentar nossos braços, forças e intenções em prol do nosso bem, do bem de nossos semelhantes e de toda a nossa sociedade.

Mas o que posso fazer para trabalhar no bem? É preciso ser rico ou ter muito tempo livre? Não. Qualquer um de nós, tenha o tempo e o dinheiro que for, é capaz de trabalhar o bem. Chico Xavier, que viveu toda a sua vida em prol desse trabalho, nos diz: “Deixe sempre um sinal de alegria por onde passar”. Isso é, por exemplo, trabalhar no bem. Espalhar alegria, ter sempre palavras de conforto para aqueles que sofrem, saber colocar as necessidades do outro antes das de si mesmo, trabalhar o perdão…

O trabalho no bem é um dos ensinamentos espíritas e é todo e qualquer ato de amor ao próximo. É importante nos atentarmos que fazer o bem não significa apenas ser bondoso com aqueles que estão distantes de nós. Mas aquelas que estão próximas, inclusive na mesma família. Muitas vezes, conseguir amar e perdoar familiares é muito mais difícil que conviver com os que estão “de fora” de nossas casas. Isto, amigos, também é trabalhar no bem. Garantir uma boa convivência e uma harmonia familiar.

A caridade

Em muitos de nossos artigos, falamos sobre a caridade. Isso acontece porque essa é uma das principais – senão a principal – característica do espiritismo: pregar e exercer a caridade. Na Revista Espírita de 1868, está escrito que “a caridade é a alma do espiritismo”. Dessa forma, sabemos que não é possível ser espírita sem praticar a caridade.

Existem dois tipos de caridade: a beneficente e a benevolente. A caridade beneficente é a que geralmente pensamos quando alguém fala em “caridade”. É doar roupas; dinheiro; objetos ou comida a quem não tem. Em outras palavras, a caridade beneficente é a doação de recursos materiais. Obviamente, esse tipo de ação é importante para auxiliar aqueles irmãos que passam por dificuldades. Mas exite outro tipo de caridade: a benevolente.

A caridade benevolente está incluída nos ensinamentos espíritas e significa amar o próximo como a nós mesmos. O que é amar o próximo? É trabalhar nossa reforma íntima para evitarmos sentimentos de inveja, de rancor, de ciúme, vingança, de vontade de causar sofrimento ou ferir alguém. Essa caridade, que pode – e deve – ser praticada por todos, do mais rico financeiramente ao mais pobre, é a que rege o espiritismo.

Chico Xavier nos disse: “A caridade é o processo de somar alegrias, diminuir males, multiplicar esperanças e dividir a felicidade para que a Terra se realiza na condição do esperado Reino de Deus”. Allan Kardec, por sua vez, assim definiu a caridade: “A caridade é a fonte de todas as virtudes”.

Disciplina e Reforma Íntima

Você se lembra da frase de Chico Xavier que mostramos no início deste artigo? O médium brasileiro nos diz: “o espírita não é melhor que ninguém. Mas tem a obrigação de ser melhor do que já é”. E, para isso, para sermos melhores do que já somos, só existe um caminho: o da disciplina e reforma íntima.

É preciso disciplina para sermos vigias de nossas próprias ações e pensamentos (sim, os pensamentos também fazem parte de nós e daquilo que atraímos para as nossas vidas). Garantindo a permanência de bons desejos – para nós e para nossos irmãos. Também é preciso disciplina para cumprir o que nos diz outro dos importantes ensinamentos espíritas: instrui-vos. Para ser espírita, é preciso estudar sobre a Doutrina constantemente; praticar o Evangelho do Lar e, dessa forma, ser cada vez mais consciente do que nos ensinou os guias espirituais através da Codificação.

A Reforma Íntima é, de fato, uma reforma. Quando temos a casa com algum problema e já não conseguimos mais viver nela da forma como está, fazemos uma reforma; trocamos o piso, consertamos o telhado… Com a nossa casa espiritual, não é diferente. Como somos humanos e habitamos o planeta Terra, que ainda é uma morada de provas e expiações, sempre teremos algo que consertar em nossa casa espiritual. E, para isso, necessitamos da reforma íntima. Controlar nossas ações; nossos pensamentos; nossos desejos; nossa atenção ao outro e a nós mesmos.

O exemplo do Mestre

Quando falamos sobre o fato de o espiritismo ser uma religião, temos que ter em mente um aspecto chave para a Doutrina. O espiritismo é cristão. Ou seja, reconhece Jesus e seus ensinamentos como verdade e como guia. Nós, espíritas, sabemos que Jesus Cristo é a criatura mais perfeita que já encarnou na Terra. É por isso – e por vários outros motivos – que os ensinamentos de Jesus Cristo permeiam os ensinamentos espíritas. Amar uns aos outros é caridade pura e exige reforma íntima e trabalho no bem.

A Doutrina Espírita tem uma teoria vasta e, muitas vezes, complexa. Mas o espiritismo só existe, de fato, quando aplicado em nossas vidas, quando praticado. De nada adianta conhecer tudo o que nos foi ensinado pelos guias espirituais, se seguirmos repetindo os mesmos erros. Entregues aos mesmos vícios, como o egoísmo, a inveja e o desejo de causar dano a outra pessoa.

O exemplo do Mestre

Falar sobre ensinamentos espíritas é, ao mesmo tempo, falar sobre as formas de sermos mais felizes. Darmos mais sentido a nossas existências. Quando nos reconhecemos como espíritos – e, logo, como seres imortais – entendemos a importância de trabalhar em prol de nossa evolução melhor. A fim de alcançarmos a felicidade plena e sermos puros.

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Referências:

O Livro dos Espíritos

Mães de Chico Xavier

O Livro dos Médiuns

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