Vegetarianismo espiritismo: afinal, o espírita deve ser vegetariano?

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O espiritismo é uma Doutrina que se pauta no amor ao próximo, na caridade e no constante trabalho no bem. É uma ciência religiosa que, através dos conhecimentos transmitidos pelos guias espirituais e pelas lições de Jesus, nos auxilia a adotarmos uma postura de vida que preza pela não violência, pela compaixão e pela justiça. Pensando nisso, muitos irmãos de ideal espírita têm se perguntado sobre a relação vegetarianismo espiritismo.

Os estudos específicos quanto a esse tema ainda são poucos e dispersos. Por isso, para tentar auxiliar aqueles que têm essa dúvida, o artigo de hoje reúne o que a Doutrina já disse sobre o assunto. A intenção é responder à pergunta “o espírita deve ser vegetariano?” através dos textos contidos na Codificação Espírita organizada por Allan Kardec.

A grande questão que leva muitos de nós a terem dúvidas relacionadas ao consumo de carne ou não em nossa vida cotidiana é a preocupação pelo bem-estar dos animais. Todos sabemos que carne nada mais é que um animal que foi abatido, sacrificado contra a sua vontade. Para entender, portanto, sobre vegetarianismo na visão espírita, é preciso conhecermos o que a Doutrina diz sobre a espiritualidade dos animais e sobre vegetarianismo espiritismo. Também é fundamental falarmos sobre livre-arbítrio. Boa leitura!

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O espírita deve ser vegetariano?

Antes de entrarmos no tema vegetarianismo espiritismo propriamente dito, é preciso ressaltarmos que, ao contrário de muitas outras religiões e ideologias, A Doutrina Espírita não impõe um manual de regras e condutas morais. Mas oferece as ferramentas e os conhecimentos necessários para que possamos tomar nossas próprias decisões. No espiritismo, vale a máxima dita pelo médium Chico Xavier. “Somos livres para decidir sobre nossos atos, muito embora nos tornemos escravos de suas consequências”.

O espírita deve ser vegetariano?

Sendo assim, a resposta à pergunta “o espírita deve ser vegetariano?” é: não. O espírita não deve ser nada além daquilo que escolheu ser. Por outro lado, deve, sim, procurar formas de evoluir seus próprios comportamentos e decisões. Afinal, esse é o grande propósito de estarmos encarnados neste planeta. Nessa evolução, optar por não causar sofrimento a nenhum ser – seja ele humano ou animal – é um passo importante.

Sempre que tivermos alguma inquietação sobre a Doutrina, a nossa principal fonte é, sem dúvidas, os cinco livros da Codificação e as obras psicografadas pelos médiuns. Para falar sobre vegetarianismo espiritismo, isso não é diferente. Veremos, então, o que os guias nos dizem sobre o consumo de carne.

O que nos dizem os guias em O Livro dos Espíritos?

Em “O Livro dos Espíritos”, no capítulo sobre privações voluntárias, pergunta 722, os guias nos disseram: “tudo aquilo com o qual o homem pode se nutrir, sem prejuízo de sua saúde, é permitido”. A pergunta seguinte é específica sobre o consumo de carne: “A alimentação animal é contrária à lei natural?”. Em resposta, nos foi dito: “Na vossa constituição física, a carne nutre a carne”.

O que nos dizem os guias em O Livro dos Espíritos?

Essas duas respostas parecem confundir ainda mais aqueles que pesquisam sobre vegetarianismo espiritismo. Por isso, vamos analisá-las com cuidado. Esse livro foi escrito no século XIX, período em que, ao homem, seria praticamente impossível viver sem se alimentar de carnes e produtos animais, já que o conhecimento científico não era avançado como agora e não existiam tantas formas de cultivo. Nesse período, a forma como esse tipo de alimento era produzida também era outra, menos cruel. Hoje em dia, muitos estudos relacionam os hormônios das carnes a doenças, como o câncer. Na hora de pensar sobre o tema, adaptemos ao contexto de hoje para verificarmos se tudo o que comemos nos faz bem, ou seja, não traz “prejuízos à saúde”, como nos orienta os guias.

Ainda em O Livro dos Espíritos, um dos mais importantes da Codificação, os guias nos dizem que as privações de alimentos de origem animal, como outros tipos de abolições voluntárias são meritórias, desde que “se se priva pelos outros” e de forma “séria e útil”. Esse item é essencial para entendermos a relação vegetarianismo espiritismo.

O que nos diz o espírito Emmanuel em O Consolador?

Na obra “O Consolador”, em 1997, perguntou-se ao espírito Emmanuel se é um erro o fato de o homem de hoje se alimentar de animais, essência da relação vegetarianismo espiritismo. Emmanuel, guia e mentor do médium Chico Xavier, respondeu que “a ingestão das vísceras dos animais é um erro de enormes consequências, do qual derivaram numerosos vícios da nutrição humana”. Emmanuel explicou, ainda,  que os “valores nutritivos podem ser encontrados nos produtos de origem vegetal, sem a necessidade absoluta dos matadouros e frigoríficos”.

O que nos diz o espírito Emmanuel em O Consolador?

Como outros espíritas e mentores espirituais, Emmanuel nos diz que as dietas baseadas em carnes serão substituídas no futuro. De acordo com a evolução alcançada pelos homens. Serão, segundo Emmanuel, “tempos novos em que os homens terrestres poderão dispensar da alimentação, os despojos sangrentos de seus irmãos inferiores”. (Emmanuel, 1997, p. 82).

O que nos diz o espírito André Luiz em Missionários da Luz?

Em “Missionários da Luz”, há uma passagem no capítulo 4 em que o espírito André Luiz e seu mentor e guia espiritual conversam sobre vampirismo. Quando André Luiz se mostra assustado e perplexo com o tema, o seu guia lhe questiona sobre o consumo de animais na Terra: “e nós, quando nas esferas da carne? Nossas mesas não se mantinham à custa das vísceras dos touros e das aves? A pretexto de buscar recursos proteicos, exterminávamos frangos e carneiros, leitões e cabritos incontáveis. Infligíamos a muitos deles determinadas moléstias para que nos servissem ao paladar com a máxima eficiência”.

O que nos diz o espírito André Luiz em Missionários da Luz?

Ainda sobre o consumo de carne e os modos de produção dessa indústria, continuou o guia de André Luiz. “Em nada nos doía o quadro comovente das vacas-mães, em direção ao matadouro, para que nossas panelas transpirassem agradavelmente. Tempos virão, para a Humanidade terrestre, em que o estábulo, como o Lar, será também sagrado”.

O que nos disse o médium Chico Xavier?

Se você, irmão de ideal espírita, se interessa e conhece a vida do médium brasileiro Chico Xavier, provavelmente está familiarizado com a relação entre Chico e os animais. A história de Chico com a sua cachorrinha Boneca, por exemplo, sempre aparece na literatura sobre a espiritualidade dos animais. Chico nos explicou que, ao contrário do que se pensava anos atrás, os animais têm alma e também são seres em evolução, de modo que, a nós, humanos, cabe a tarefa de auxiliá-los nesse caminho e protegê-los.

O que nos disse o médium Chico Xavier?

Nas palavras de Chico Xavier, “nós, seres humanos, estamos na natureza para auxiliar o progresso dos animais, na mesma proporção em que os guias estão para nos auxiliar. Por isso, quem maltrata ou fere um animal é alguém que não aprendeu a amar”.

nós, seres humanos, estamos na natureza para auxiliar o progresso dos animais, na mesma proporção em que os guias estão para nos auxiliar.

Em 1971, Chico Xavier participou do programa Pinga Fogo, na extinta TV Tupi, e foi perguntado sobre a prática de comer animais. Chico respondeu: “Se nós estamos ainda subordinados à necessidade de valores proteicos que recebemos da carne, nós não devemos entrar em regimes vegetarianos de um dia para outro e sim educar o nosso organismo para realizarmos essa adaptação. Para dispensarmos este tipo de concurso dos animais, precisamos tempo”. Emmanuel, mentor de Chico, nessa oportunidade, chamou a indústria da carne de “indústria da morte”.

Vegetarianismo espiritismo: Espiritualidade dos animais

Com o avanço científico e a facilidade de acesso à informação, é sabido hoje em dia que as proteínas de origem animal não são necessárias para a saúde do homem. Ou seja, uma dieta baseada somente em vegetais é mais que suficiente e nutritiva. Resta, pois, para compreendermos a relação vegetarianismo espiritismo. Compreender um pouco mais sobre a espiritualidade dos animais, para, assim, decidirmos se mantemos esse costume supérfluo ou não em nossas vidas.

Vegetarianismo espiritismo: Espiritualidade dos animais

Por muito tempo, os animais foram vistos como ferramentas para uso humano, tanto como as máquinas ou os carros. Esses tempos, marcados pela ignorância científica, levavam as pessoas a acreditarem que os animais não possuem almas. Não são espíritos encarnados. Assim como em muitos outros temas, a Doutrina Espírita trouxe luz a esse entendimento. E vários foram os médiuns e pesquisadores que se dedicaram a estudar a espiritualidade dos animais. Um desses espíritas foi Marcel Benedetti, criador da Associação Espírita Amigos dos Animais.

Benedetti nos explicou, pautado da Codificação Espírita, que a alma dos animais é semelhante a dos outros seres. O que nos diferencia desses seres é o grau de evolução, o fato de termos consciência.

Reencarnação dos animais

Se a reencarnação dos humanos é um tema que desperta interesse e curiosidade, a reencarnação dos animais – especialmente daqueles domesticados – não é diferente. Esse assunto, ligado à espiritualidade dos animais, tem crescido muito nos últimos anos. De modo que médiuns reconhecidos abordam o tema e esclarecem as nossas dúvidas sobre os nossos irmãos animais.

Chico Xavier foi um dos médiuns que falou sobre reencarnação de animais. Em um relato comovente, o médium mineiro usou a sua própria experiência para dar luz ao tema. Chico Xavier conta que tinha uma cachorrinha, cujo nome varia de versão para versão desse relato (o que mais aparece é Boneca). Chico presenciou o desencarne de sua companheira e, tempos depois, viveu o reencontro com ela, quando a cachorrinha reencarnou.

De acordo com Chico Xavier, os animais também são seres em evolução e, portanto, vivem reencarnações como nós, humanos. Por serem diferentes – tanto em nível de evolução como em grau de pureza – o processo de reencarnação dos animais é diferente dos humanos. O tempo entre uma reencarnação e outra é muito mais curto. O mesmo bichinho pode voltar várias vezes numa mesma família. A fim de seguir sua evolução perto daqueles que o amam e, com certeza, sentiram muito a sua partida.

Afinal, o espírita deve parar de comer animais?

Após analisarmos tudo o que nos disse médiuns e espíritos como Emmanuel, podemos pensar nessa pergunta de outra forma. A indagação mais adequada é “o espírita deve refletir sobre o consumo de animais?” e a resposta, claramente, é positiva. No final do século XIX, Allan Kardec, o fundador do espiritismo, publicou um artigo na Revista Espírita falando sobre mulheres e negros. A intenção era a de esclarecer que mulheres e homens, assim como homens brancos, têm alma, são espíritos encarnados. Parece absurdo, não é verdade? Mas, naquela época, coisificar mulheres e negros, ou seja, tratá-los como objetos, era tido como normal. Assim como, hoje em dia, criar e sacrificar animais para consumo também é considerado aceitável pela grande maioria das pessoas.

É parte da evolução humana modificar tradições, sempre que essas tradições causem dano a algum ser. Já sabemos que a Terra não é o único espaço com vida no universo. Em outras palavras, não é a única “morada” na Casa do Pai. Em outros planos com mais evolução, como em Júpiter ou nas colônias espirituais, como Nosso Lar, a alimentação não é baseada em carne animal. Nem em nada que foi gerado através de violência.

Afinal, o espírita deve parar de comer animais?

Esperamos que suas dúvidas sobre vegetarianismo espiritismo tenham sido esclarecidas com essa leitura. E que você se sinta motivado a viver cada vez melhor e em sintonia com seres elevados. Se você quer receber novidades de outros artigos como esse e aprender sobre diversos outros temas através da visão espírita, cadastre-se no nosso site e faça parte do nosso canal. Ficaremos felizes em nos encontrarmos por lá!

Muitos questionariam: o espírita é obrigado a seguir o vegetarianismo? A resposta, obviamente, é não. O Espiritismo nada obriga e é, acima de tudo, uma filosofia de vida, não aplica o dogma como base religiosa.

Talvez, a pergunta mais sensata seria: o espírita deve refletir sobre a possibilidade de tornar-se vegetariano? A resposta, logicamente, é sim.

 

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Referências:

  • A Revista Espírita
  • O Livro dos Espíritos
  • O Consolador
  • Programa Pinga Fogo, TV Tupi – 1971 (Participação de Chico Xavier)
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2018-04-24T06:34:53+00:00
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